Saudações, hordinhas e alyzetes!
Eu sou o Haiachi, o bendito-fruto dentre os Adms da Girl in GAME. Como tal, meu trabalho na página é propositalmente mínimo. Tudo o que eu tenho que fazer é de vez em quando conceber alguma solução gráfica que as meninas não consigam por conta própria. O que, ainda assim, raramente acontece. E um dos assuntos que mais gostaria de escrever é sobre um dos campos mais prolíficos de inspirações de nosso amado MMO: World of Warcraft.
A saber, os próprios criadores da franquia
Warcraft (nos idos dos anos 90, quando o jogo ainda era um RTS) já admitiram que o cenário de Azeroth tinha várias inspirações do mais famoso RPG de mesa de todos os tempos: Dungeons & Dragons. Mas afinal de contas: Que inspirações foram essas? Há tanta coisa em comum assim entre os dois? Bom, não viso responder todas essas perguntas aqui, já que o volume total dessas informações seria monstruoso. Mas, demos uma olhada mais de perto nesses dois interessantíssimos hobbies:
Se você não conhece
Dungeons & Dragons, nunca jogou, ou nunca leu um livro de RPG na vida, não se assuste. Isso é bem mais comum do que parece. Primeiramente, vamos a uma aulinha de história nérdica:
 |
Os três volumes originais de O Senhor dos Anéis.
Muita coisa boa veio daqui. |
Como muitos de nós sabemos, nos idos de 1950 e poucos, um distinto senhor resolveu escrever um livro que revolucionaria todo um gênero. J. R. R. Tolkien publica em 1954 a saga O Senhor dos Anéis. Uma narração épica, ambientada em sua Terra Média inspirada na mitologia nórdica, mas com alguns toques celtas e saxões, e que viria a fascinar todo um mundo por muito tempo ainda. Dali, pulamos então para a década de 70, uma época em que a juventude dos EUA se viu tomada por dois vícios: os videogames e os "wargames" (jogos de tabuleiro que eram mais baratos que os relativamente caríssimos videogames da época e por isso faziam mais sucesso para quem não era "
prebói"). De modo geral, todo wargame ilustrava o combate entre exércitos rivais medievais nos mais variados cenários estratégicos e táticos possíveis. Esta época também coincidiu com a publicação americana de O Senhor dos Anéis, e tentar juntar as duas coisas era uma ideia irresistível. E foi mais ou menos por aí que Gary Gygax e seus desmioladamente inspirados amigos resolveram criar uma variante dos wargames, em que, ao invés de controlar entidades coletivas, cada jogador controlaria apenas um personagem, num cenário fortemente influenciado pelas obras do Sr. Tolkien. Surgia assim, o Chainmail, que posteriormente viria a ser chamado de "Dungeons & Dragons" (D&D) após vários retoques.
 |
| Capa da 4ª Edição de D&D |
Enfim, basicamente, o universo de D&D sofreu inúmeras ampliações ao longo de já quase 40 anos. Vieram inúmeros cenários, suplementos, toneladas de livros, romances, histórias em quadrinhos, e não nos esqueçamos de uma série animada (conhecida no Brasil como "Caverna do Dragão") e três doloridos filmes. Mas, para nossos propósitos a quem nunca tenha
se sentado com um bando de nerds numa mesa fingindo serem aventureiros medievais jogado D&D, me cabe dizer que D&D por si só pressupõe apenas um conjunto de regras para resoluções de ações propostas pelos jogadores, e certas pressuposições que dão o "ar medieval" da narrativa. Como a existência de magia e coisas do tipo. Dentro deste conjunto de regras, aí sim, existem os cenários já publicados, ou aqueles que seu grupo de jogadores resolver criar por conta própria.
Mas, não é (só) sobre D&D que este post fala. A questão principal é: Afinal de contas, quais inspirações dos vários mundos de D&D podemos encontrar em WoW?
Bom, isto provavelmente requereria um volume muito maior do que o socialmente aceito para um post, mas vamos a algumas que este levemente míope investigador conseguiu encontrar:
Dragões
 |
| Os Aspectos das Revoadas de WoW. |
Ok, dragões são importantes pra caramba nos dois lados. Eles são o "dragons" do D&D, afinal de contas, e em WoW, eles possuem um papel importantíssimo ao dar ao mundo de Azeroth a cara que conhecemos. Mas uma das características fundamentais dos dragões de D&D está presente nas revoadas de WoW: Baforadas diferenciadas. Sim, procure o quanto quiser nas mais diferentes mitologias. Todo dragão cospe apenas fogo. Inclusive, este é um fator imprescindível para qualquer réptil místico ser considerado um dragão. Mesmo os chineses, só cospem fogo. E tanto lá quanto cá, temos várias coincidências. Dragões azuis cospem gelo; os vermelhos, fogo; e por aí vai. Porém, se WoW inova em algo neste campo, é o fato de termos dragões vermelhos bondosos. Sim, eles são vilões mais clássicos possíveis em D&D. Mas em WoW, Alextrasza é a Mãe da Vida, e a própria baforada ígnea de sua espécie é considerada um instrumento de renovação da natureza, e não simplesmente de destruição e sanguinolência.
Deuses Antigos
 |
| Devorador de Mentes de D&D. "Servido?" |
Criaturas primordiais de poder inimaginável (ou assim deveriam ser, já que a maioria das raides que os contêm são praticamente soláveis hoje em dia), os Deuses Antigos estão longe de ser uma criação modernosa como D&D ou WoW. Eles se inspiram muito notavelmente nas criaturas dos Mitos de Cthulhu, um universo povoado de seres cósmicos, monstruosos e poderosíssimos do escritor H. P. Lovecraft. Em suas narrativas em que o terror espreita em cada brecha e beco sombrio, os personagens encontram vestígios e indícios desses verdadeiros deuses, cujos desígnios para a humanidade nunca são legais. Eles foram adaptados (ou influenciaram a criação de) em vários elementos dos cenários de D&D. Monstros como o Devorador de Mentes possuem grande semelhança com o próprio Cthulhu, além da própria anatomia totalmente caótica ser uma predominância em ambos. Outro detalhe, é a complexidade dos nomes desses bichos. O próprio Lovecraft devia se divertir horrores com isso. Já que ele mesmo pronunciava "Cthulhu" toda vez diferente, assim que percebia que as pessoas começavam a se acostumar com uma ou outra pronúncia.
 |
| Cthulhu, um dos terrores das profundezas de Lovecraft |
 |
| Yogg-Saron, um dos Deuses Antigos. |
Elfos
 |
| Elfa da Noite e Elfa Sangrenta. Só uma discussão entre amigas... |
Um dos campos em que o próprio mais foi inovador no seu ramo foi na reapropriação dos elfos nórdicos e celtas. Não fosse por suas obras, ainda imaginaríamos os elfos como os diminutos ajudantes de Papai Noel. Mas, principalmente após a trilogia dos filmes inspirados nos livros tolkienianos, aparentemente todo elfo pareceu ter a cara do Orlando Bloom. Mas não é este o caso. No universo de Warcraft, os elfos se dividiram em duas raças (a priori, os Elfos da Noite e os Altos Elfos - me desculpem, mas nisto eu prefiro muito mais a tradução da Devir) por discordâncias drásticas sobre o uso da magia arcana. Os Altos Elfos posteriormente mudam o nome de sua raça para Elfos Sangrentos após a perda de sua cidade natal, Quel'Thalas e da Nascente do Sol, e, óbvio, essas duas raças são respectivas rivais diametrais na Aliança e na Horda. Mas esta história também lembra bastante os
Kagonesti e
Silvanesti, de Dragonlance (cenário de uma série de romances e de um puta suplemento de D&D). Embora não sejam rivais mortais, há certa rivalidade entre praticamente todas as raças élficas de Krynn (o mundo de Dragonlance).
 |
| Elfos de Dragonlance |
Orcs
Se Tolkien definiu eternamente os elfos como belos, elegantes, esbeltos e lânguidos, ele também definiu eternamente os nórdicos orcs como monstruosos e brutos. Em D&D eles sempre foram uma raça de monstros, incultos, selvagens, bárbaros e brutais. Pasme, WoW inovou completamente em torná-los não apenas uma raça jogável (o máximo que seria possível em D&D seria jogar com um Meio-Orc), como também heroica. Os orcs de Azeroth (ou Draenor, vai saber) possuem toda uma história muito legal de como se tornaram corrompidos pela Legião Ardente, obrigados a atacar as terras de Kalimdor (e acabarem provocando a criação da Aliança). Para só então serem caçados quase à extinção, escravizados e posteriormente libertados com um ódio mortal por seus antigos rivais. Ao longo de quase toda a história de WoW, os principais rivais dos orcs são exatamente os humanos (vide o subtítulo do primeiro Warcraft).
Arquitetura
 |
| As ruas de Guilnéas. |
Ah, este é um dos pontos mais prolíficos de comparações, teorias e tiros no escuro entre os fãs. Discussões se Guilnéas parece um ponto saído de Ravenloft perdido no meio de WoW abundam pela Internet, e com razão. A cidade parece perpetuamente tomada por um nevoeiro misterioso (uma das características registradas de Ravenloft é exatamente sua "névoa mística"). E é de lá que vêm os worgens, lobisomens que engrossam as fileiras da Aliança. O próprio fato de serem a única raça "monstruosa" no meio de uma facção inteiramente mais humanoide já aponta para gêneros de terror e mistério (ambas duas características fortíssimas numa narrativa típica de Raveloft), mas fora isso, não vejo sinceramente muitas semelhanças entre Guilnéas e o cenário de Conde Strahd. Embora o estilo de Guilnéas também seja predominantemente gótico, ele parece ter um toque mais forte também de telhados bretões, mais clássicos das construções humanas de Warcraft.
 |
Conde Strahd von Zarovich. Personagem mais icônico
de Ravenloft. |
Dada as vastas semelhanças culturais e visuais, é natural que muitos locais famosos dos cenários de D&D lembrem pontos de WoW, mas isto não significa necessariamente que uma coisa foi inspirada na outra.
Humanos
É, isso parece meio óbvio. Há humanos em (ao que consta) todos os cenários de D&D. E eles estão em WoW também. Mas... Será só isso? Eu acho que cabe um destaque aqui. Normalmente, nos cenários de D&D, os humanos são a típica raça que não dispõe de poderes místicos naturais, força pétrea ou coisas do tipo. E ainda assim, eles enfrentam os mil perigos típicos desses lugares inóspitos com um sorriso na cara e continuam pedindo por mais. Por quê? Oras, porque o jogador deste personagem (provavelmente. Afinal de contas, segundo Arquivo X, aliens também jogam D&D) é um humano. E ele quer se sentir um bonzão de vez em quando também. Já em WoW, este heroísmo até está lá em certa parte. O lore de WoW dispõe de vários personagens humanos legais como Varian Wrinn, Jaina Proudmoore, Antonidas, Arthas, Uther, Tyrion e tantos outros. Mas, principalmente em WoW, os humanos parecem compartilhar da incrível tendência de fazer merdas que suas contrapartes do mundo real. Adivinha quem "esqueceu" de lacrar as academias arcanas contra detecção da Legião Ardente? De onde surgiu o Cavaleiro da Morte que posteriormente se tornaria o segundo (e mais temido até hoje) Lich Rei? Quem saiu por aí à caça de orcs que não tinham nada a ver com seus ancestrais corrompidos e os matou por puro esporte? E de que raça era o comandante babaca da Aliança que só faltou atirar Kael'Thas e seus elfos para a Horda lá em Warcraft 3? E não nos esqueçamos também do arqui-mago que abriu o Portal Negro para os orcs invadirem... (aliás, esta história também lembra o conto de certo mago dos Mantos Vermelhos corrompido pela sede de poder de Dragonlance, não é mesmo, sr. Raistlin Magere?).
Enfim, os humanos de WoW também possuem aquele apelo heroico paladinesco do herói em armadura brilhante montado num cavalo branco que mata o dragão e salva a princesa. Mas eles são ambicioso, e cometem erros trágicos também. Mas isso é legal para nós, jogadores. Foi bem legal ver a tragédia de Arthas Menethil e sua ascensão como Cavaleiro da Morte em Warcraft 3, e posteriormente o próprio Lich Rei, na expansão.
Mantídeos/Thri-Kreen
Aparecendo pela primeira vez em toda a série Warcraft em
Mists of Pandaria, os mantídeos são uma raça insectóide que vive principalmente em Ermo do Medo, e vivem tentando devorar as terras férteis dos mais novos companheiros de aventuras de Horda e Aliança: os fofos e roliços Pandarens.
Num cenário "pós apocalíptico" de D&D chamado Dark Sun, temos os thri-kreens. Uma raça de guerreiros insectóides curiosamente também chamada de "guerreiros louva-a-deus". Parêntese morfológico: O nome dos mantídeos vem da própria classificação taxonômica (lembra das aulas de Biologia?) dos louva-a-deuses:
mantidea. E ambos seguem muito bem o estereótipo do "bicho mutante insectóide da fantasia medieval": Mentalidade fortíssima de colméia (mais liberal no caso dos mantídeos), uso de seus vários braços com várias armas ao mesmo tempo, exo-esqueleto, obediência às castas superiores, etc
 |
| Típico guerreiro thri-kreen. Múltiplos braços = várias armas. |
___________
Bom, certamente ainda deve haver muitas outras semelhanças e inspiração entre um e outro. Mas, acho que isto dá para o gasto como um... Guia inicial.
Até a próxima, pessoal.
Al diel shala.
Nenhum comentário:
Postar um comentário